“Sueli Dabus entende, como Paulo Klee, que a missão do artista não é a de reproduzir a realidade, mas criar outra realidade, independente e autônoma, que é a sua obra.”

Por Enock Sacramento – Crítico de arte e membro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

PINTAR, PARA SUELI DABUS, É UM ATO NATURAL E NECESSÁRIO

 

Ainda criança ela foi atraída pelo desenho e pela pintura e, desde então, seu apego à arte, ao ato criativo, só tem aumentado. Privilegiando a figuração em sua arte, começou a expor sua obra nos anos 80 e, desde então, participou de numerosas exposições no Brasil e no exterior.

Sueli Dabus é, sobretudo, uma artista figurativa e seus temas eletivos vão das flores e frutos às paisagens e florestas, de músicos a anjos, incluindo séries referenciadas em aspectos culturais e arquitetônicos de diversos países, principalmente o Brasil, Itália e Espanha.

Há ainda a série dos cavalos e da água. Sueli Dabus trabalha seus motivos com total liberdade. Natureza, pessoas e coisas são para ela meras referências que ela transforma numa pintura calorosa, de formas muitas vezes diluídas e de cores cantantes.

Sua pintura subverte a realidade, cria climas, remete à reflexão e à fantasia. Às vezes, ela adentra o território da abstração pura na série que ela chama de “Entrelaçamentos”.

Trata-se de técnicas mistas com a utilização de materiais diversos, como juta, folhas de ouro e de prata e papéis orientais que se misturam às tintas conferindo ao trabalho aspecto inusitado.

Suas paisagens têm o sentido não apenas de exaltação das belezas naturais, mas também contribuir para a formação e desenvolvimento da consciência ecológica.

A cidade em que Sueli vive e trabalha recebeu dela atenção especial na série “As 9 maravilhas de Bauru”, que inclui locais emblemáticos do município: o Parque Vitória Régia, a USC (Universidade Sagrado Coração), a Estação Ferroviária, a Praça da Paz, o Automóvel Clube, o Zoológico, o Hospital Centrinho, o Jardim Botânico e o Templo Tenrikyo.

Este conceito está expresso no início de um dos capítulos de seu livro “La Theorie de L’Art Moderne”: “L’Art ne reproduit pas le visible. II rend visible”. Por outro lado, poderíamos dizer que a realidade e imaginação não se opõem, mas se complementam.

Suas flores não são intituladas, à maneira das produzidas por pintores tradicionais, de “Vaso com flores”; ela as chama de “A procura”, “Contrastando”, “Sutilezas”, o que deixa bem claro que o que lhe interessa não é a descrição, mas a significação; não o que é, mas o que pode ser.

O MISTÉRIO DO EXISTIR

 

A presença das manchas proporciona justamente a sensação de que viver pode ser uma intensa festa.

Obtém seus melhores resultados quando caminha em direção à abstração, mas sem perder de vista alguma referência concreta. Existe uma pesquisa centralizada na capacidade de transmitir emoções pela maneira como as formas se articulam no espaço.

Captar o vicejar da natureza é uma questão central do trabalho. Isso não significa a necessidade de ver uma flor ou uma folha, mas a busca de que o poder de mutação desses e de outros elementos se faça presente num jogo constante entre aquilo que se vê e o que está sugerido pelas cores e gestos presentes nas obras.

Sueli Dabus tem como maior mérito a capacidade de criar mistérios. Ela consegue avançar da figuração, originando atmosferas em que produz sensações de movimento rumo a sucessivas interrogações que fascinam o público sobre a forma de pensamento, que leva a uma valorização da vida plena de fantasia e vigor.

“Em suas obras mais significativas, Sueli Dabus vale-se de cores vivas para gerar linguagem eloquente, caracterizada pela capacidade de causar no observador um desejo de abraçar a existência em sua plenitude.”

Oscar D’Ambrósio é jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA) – Seção Brasil.

“Sua ampla premiação fala por ela e, hoje mestra do ofício, se firma dia a dia na vanguarda de um espaço conquistado com trabalho e muito amor.”

Dr. Olegário Bastos é médico, escritor e poeta.

SOB OS OLHOS DO POETA MÉDICO

 

Das atividades humanas que cultivam o estético, a arte é primordial, pois ela passa a ser insistente busca da beleza.

Difere da ciência porque esta é clara e explícita.

Arte é eterna porque conserva o vão indefinível do mistério. Dois elementos são fundamentais na criação da obra de arte: a liberdade do indivíduo e a vitalidade do povo em que nasceu.

E criatividade, subentende-se, é um processo de mudança, de desenvolvimento e de evolução na organização da vida subjetiva. Aí estão inseridas a descoberta e a expressão, que é tanto uma novidade para o criador quanto uma realização por si mesma.

Nesse momento, distinguida e homenageada, Sueli Dabus se enquadra literalmente nesse conceito. Sua infância livre, interiorana, foi de amplo contato com a natureza; a grande matriz de nosso privilegiado planeta – cuja superfície é a única conhecida, que exibe cores, nuances, movimentos, sonoridade e odores difundidos pelos seus três grandes reinos.

Seus sentidos, na plenitude de suas funções, captam as manifestações dessa natureza multifacetada. Excedeu seu aprendizado; sua técnica foi aprimorada. Sua sensibilidade apreende o necessário para desenvolver seus temas pictóricos de rara beleza.

Sua ampla premiação fala por ela e, hoje mestra do ofício, se firma dia a dia na vanguarda de um espaço conquistado com trabalho e muito amor.

PERFIL DE UMA ARTISTA

 

Uma arte jamais procede aleatoriamente. Os momentos que vivenciamos são fruto da aprendizagem assimilada pelo nosso universo interior.

Uma arte jamais procede aleatoriamente. Os momentos que vivenciamos são fruto da aprendizagem assimilada pelo nosso universo interior. O desconhecido é o nosso guia.

Sueli Dabus consegue nesses momentos materializar dentro de uma atmosfera energética um estado de consciência para desestruturar e, em seguida, reestruturar abstraindo de forma diferente e original o tema proposto.

Sua Obra exerce fascínio como que um frêmito sensual em suas flores de grande intensidade simbólica. O cromatismo tropical de sua paleta aliada a uma técnica correta na aplicação das tintas e materiais incorpora formações geométricas de caráter subjetivo, obtendo desta arte delicadas suavidades e magníficas transparências.

Sueli Dabus, ser humano especial, nos mostra com certeza que a sensibilidade e o amor formam a essência fundamental do seu sucesso como Artista Plástica.

“Uma arte jamais procede aleatoriamente. Os momentos que vivenciamos são fruto da aprendizagem assimilada pelo nosso universo interior.”

Rodrigues Coelho é professor e crítico de arte.